Fui para Cuba e deixei tudo para trás. Todas as minhas referências, expectativas, sentimentos.

Ao sair de casa e girar a chave da fechadura deixei lá dentro tudo isso, inclusive planos.

Embarquei para esse país esperando nada e com apenas reserva para as 5 noites em Havana das 18 que ficaríamos em Cuba.

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Fui para Havana e hospedei-me em uma “ Casa Particular” às margens do Malecón. Senti aquela paisagem bucólica, romântica, filosófica das ondas batendo nos paredões e das gaivotas voando com a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña ao fundo.

Explorei os becos de Habana Vieja. Me entreguei àquelas ruelas de corpo e alma. Desbravei museus, restaurantes e bares. Tomei um mojito, um café, um chocolate quente ao som da música viva que
ecoa por todas as esquinas daquele labirinto que me seduzia a cada segundo. Aprendi a dançar Salsa Cubana em uma das escolas escondidas por ali.Senti a história da Plaza de la Catedral e observei uma Quinceañera que lá se passava. Sentei-me na praça enquanto a fila do Churros não andava e conversei com um dos muitos comunistas que vendiam seu periódico para complementar sua renda. Tudo tem fila e nenhum serviço ao cliente. Nada me abala, deixei tudo em casa. Votamos à Habana Vieja todos os dias que estávamos em Havana.

Seguimos para um par de dias à Varadero para apreciar um pouco de praia, sol, mar e o Caribe Cubano que começava a me conquistar.

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Pegamos um carro sentido Santa Clara, o berço da revolução cubana, onde El Che fez sua casa. No caminho observo, um monte de gente nas beiras das estradas, esperando, pergunto ao motorista que me explica que transporte público ( dentre outros) é um problema sério em Cuba, aquelas pessoas estão ali esperando qualquer carro, ônibus, um caminhão na esperança de serem apanhados. Paramos uns 15 min à espera de combustível que um amigo vai trazer. É 50% mais barato que no posto oficial do governo. Ao longo de minha viagem entendo que tudo em Cuba funciona assim, no mercado negro, porque o salário mínimo é baixíssimo e todos têm que se virar para sobreviver.

Muitas semelhanças com nosso Brasil penso, desde a escravidão até o jeitinho, mas de alguma forma me sinto muito segura nesse país. Fico com isso na cabeça e observo escolas enormes, universidades gigantescas, todas lotadas. Todas as pessoas que converso são politizadas, cultas e educadas.Um sistema educacional robusto onde a violência não faz morada,reflito.

Fidelismo, Raulismo, as estradas são repletas de outdoors com apologia ao socialismo e às suas margens o cubano leva sua vida, sem pressa, com paciência e do jeito que dá.

Eu observo....

Passamos por Remédios, quase nenhum brasileiro vem aqui me diz o barista e pegamos um ônibus para Trinidad.

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Trinidad tem tudo: história, montanhas e praias. Mas vai ficar marcada para mim pelo cheiro das estradas. Saí para correr 9km nesse dia e sendo uma cidade histórica não tinha muito para onde ir então fui para a “ Estrada Principal”. Já tinha observado alguns ciclistas na estrada e conversei com alguns para entender que muitos canadenses vão para Cuba com suas bicicletas pelo respeito que os motoristas tem ao ciclista. Saí em direção à Sancti Spíritus e à parte de todo respeito dos motoristas, nascer do sol e belezas naturais, aquela estrada emanava um perfume. O perfume das pessoas arrumadas para ir ao trabalho, escolas ou seus afazeres no centro da cidade, todas passando por mim em cima de caçambas lotadas, como os nossos antigos boias-frias, em pleno 2018.

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Partimos para Cayo Santa Maria para alguns dias no Caribe Cubano, porque nem as mais precoces das crianças aguentam tantos dias de história, museus e reflexões. E também para que esse Caribe pudesse me conquistar de vez, com o calor do sol, o azul do mar, a areia branca e a beleza de sua tempestade.

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Voltamos à La Habana e me assegurei que nossa última noite na capital cubana fosse às margens do Malecón. Tinha que correr uma última vez com aquela paisagem e sentir tudo o que senti no primeiro dia. Fui embora com a certeza de que iria voltar. Dessa vez para desbravar o sul: Camagüey, Baracoa, Santiago de Cuba. E com a certeza que não há lugar no mundo como Cuba.

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